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Inserida em: 05/02/2011

Mão de obra especializada vira artigo de luxo em restaurantes

O mercado está difícil? Não há emprego para ninguém? Em alguns setores não é bem assim e há falta, na verdade, de mão de obra. Principalmente especializada.

"Eu nunca imaginei que encontraria essa dificuldade", desabafa o empresário novato Samuel Vieira Gomes de Freitas, 23 anos, proprietário desde 27 de dezembro da lanchonete Amazônia Mix, que fica no Centro de Santos.

Atuando no comércio pela primeira vez, Freitas conta que esperava outros desafios ­ esse não. "A gente vê de fora tanta gente desempregada, não parece que vai ser assim. Outro dia um rapaz marcou de fazer teste e não apareceu".

Ele está chamando antigos funcionários do estabelecimento para voltar a trabalhar no local, apesar de ter mais de 30 currículos em mãos. "O pessoal não tem experiência. Eu chego a fazer teste por alguns dias, mas os candidatos não se encaixam".

Veterano no setor, Roberto Gaidarji enfrenta o mesmo problema. Atuando há anos na área de alimentação, não está encontrando profissionais qualificados para trabalhar na sua fábrica de massas e no recéminaugurado restaurante Sale e Pepe & Famiglia, que também fica no Centro.

A fábrica existe há oito anos e fornece massas para restaurantes, hotéis e varejos. Com a inauguração do novo estabelecimento, a demanda cresceu e ele precisou aumentar a equipe.

"Na fábrica eu tinha cinco funcionários só para produzir massa. Quando abrimos o restaurante, coloquei anúncio, mas não encontro profissionais qualificados", lamenta. "Eu não tenho churrasqueiro, faltam bons garçons". Ele acredita que o problema não é o salário ­ que tem o piso de R$ 726,00 ­ mas a crise de mão de obra preparada. "Eu sempre ofereço um pouco mais que o piso. Churrasqueiro, por exemplo, tem salário de R$ 1.000,00 para trabalhar de segunda a sextafeira até 17 horas".

Gaidarji afirma que aparecem pessoas que dizem fazer churrasco, mas não profissionalmente. "Eu pergunto: controla um churrasco para 300 pessoas? Quem não tem experiência, não dá conta".

Outras Áreas

Não é só o setor de restaurantes, lanchonetes e bares que sofre com a falta de profissionais qualificados ­ embora esse seja um dos mais atingidos, segundo a analista de Recursos Humanos do Grupo NPO, que cuida de recrutamento de pessoal, Suraia Cassab Deloroso.

"Quando fazemos seleção para essa área, temos dificuldade de encontrar profissionais. Falta garçom, cozinheiro, tudo que envolve o setor. Especialmente garçom. As pessoas pensam que qualquer um pode ser, mas não é assim. Tem técnica", avisa Suraia. Ela comenta outras áreas que sofrem com a falta de profissionais especializados, como motorista de caminhão.

"Há carretas paradas por não ter funcionários para trabalhar". Suraia atribui essa ausência às exigências da profissão: carteira de habilitação categoria E e curso MOOP (movimentação de cargas perigosas). "Não se pode colocar uma carreta na mão de quem nunca dirigiu", ressalta.

A carência atinge ainda outros setores, conforme a analista de RH, que cita a área contábil e fiscal, além da construção civil, especialmente para os cargos operacionais como pedreiro, carpinteiro e azulejista.

 

Fonte: A Tribuna - Caderno: Baixada Santista - pág A-8

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